Sedimentação humana: base de um território profissional sólido. Um caminho oposto à escassez

É por isso que acredito tanto na Terapia de Carreira. O trabalho de autoconhecimento, calcado em reflexões e diálogos profundos sobre nossa atuação operacional e estratégica no mundo do trabalho, traz o entendimento da nossa essência e daquilo que nos define e nos torna capazes de contribuir com o mundo, no meu propósito, um mundo mais gentil.

Para desenvolver esse trabalho, me aprofundei em estudos sobre Motivação Humana, nos meus dois anos na Harvard; e também nos conceitos de Construtivismo - defesa do papel ativo do sujeito na criação e modificação de suas representações do objeto do conhecimento, e de minimalismo - uso do que é simples e elementar, no Diálogo e Arte de Pensar Juntos, conceito de William Isaacs, com quem tive a honra de participar dos primeiros grupos para avanço dos ensinamentos de CNV, no MIT, e, claro, nos meus quase 40 anos de profissão.

Esses conhecimentos me dão a certeza de que o autoconhecimento nos prepara para o futuro do mundo do trabalho, futuro este que começa imediatamente, ou melhor, começou ontem. Os robôs já nos substituem com grande competência em diversos âmbitos, por isso, só a dimensão humana será capaz de ampliar nosso território de atuação como indivíduos e como nação.

Mas, afinal de contas, o que é esse desenvolvimento humano que tanto se ouve falar e tanto se quer alcançar?

Digamos que está centrado em você e na melhoria do seu bem-estar. E digo mais: sedimentar a carreira em ganhos elevados, hoje, é erro grave. O ideal é que o território profissional seja sedimentado em motivações, crenças elementares e essenciais, diálogo e capacidade de buscar soluções em conjunto, entendendo que fazemos parte de um todo que engloba e precisa de outras inteligências.

A partir desse viés, a renda e a riqueza não são fins em si mesmas, mas meios para que as pessoas possam viver da melhor forma possível e de acordo com o que desejam. Por isso, cada vez mais as empresas investem em um modelo de marketing e branding que considerem as pessoas no centro do objetivo, são marcas com propósito. E assim também é o ideal na relação da empresa com o trabalho, muito mais focada em desenvolvimento humano do que em lucros, a fim de pensar e lidar melhor com o seu crescimento em todos os âmbitos: internacional, nacional e local. Claro, lucros fazem parte da história e são necessários para a sobrevivência, mas não a qualquer custo. Não mais. Pelo menos as mais inovadoras.

Minha proposta é sempre a de estimular e acolher transformações reais e positivas na vida das pessoas e das organizações, resgatando o protagonismo de cada um, contribuindo para um mundo mais gentil e humano para que, de fato, as pessoas se sintam mais felizes, produtivas e com ganhos suficientes para viverem bem.

Esse território da dimensão humana me fascina, principalmente por ser tão vasto e, praticamente, sem limites. E a possibilidade de ajudar as pessoas a construírem suas marcas e trajetórias a partir de seus desejos é o que mais me motiva.


Ser feliz no trabalho não é só um conceito que aprendi na Harvard em 1999/2000. Faz parte da completude humana e, também, da certeza que tenho de que todos podemos! Está tudo aí a nosso dispor em abundância, mas é preciso compreender que nossa cultura ainda se baseia na Antiguidade, onde o próprio sentido de trabalho era de sofrimento ou simplesmente de subsistência, considerado à parte de nossas vidas.

Assim, mesmo com tanta abundância, uma mudança de mindset se faz necessária para que possamos usufruí-la, tendo a certeza de que não existe escassez dentro de nós e que temos, cada vez mais, recursos inovadores e amigáveis para nos desenvolvermos.

Nosso desafio é acreditarmos e reunirmos forças para, mesmo em tempos de Covid-19, evoluir nesse caminho do trabalho com alegria.

E, como dizia Nietzsche e outros filósofos, a verdadeira viagem é a que fazemos dentro de nós mesmos.

Conte sempre comigo, mantenha-se em segurança e otimista.

Um abraço

Isabel Árias

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